Como as “fintechs” competem com os desenvolvedores tradicionais

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– Giordano de Souza – “Não gosto de perder tempo. Então, vamos aprender cada dia um pouquinho mais.” O EconoGuia é um espaço aberto para o servir. Se quiser currículo, só perguntar!

O primeiro fato a ser compreendido é o de que tem muito dinheiro fluindo para “start-ups” que têm o objetivo de modificar o atual modelo financeiro e suas estruturas tradicionais com cobranças de tarifas.

 

Veja essa figura abaixo que mostra algumas “start-ups” cujo objetivo é modificar a velha ordem da indústria de serviços do setor financeiro. Estas empresas, batizadas de “fintechs” estão focando sua oferta de serviços num alvo muito grande e fácil de acertar: a geração dos Millennials, ou geração Y. Gente que trata o dinheiro bem diferente da forma que seus pais e avós e que convive muito naturalmente com as novas tecnologias.

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Algumas ideias dessas empresas “start-ups” são tão inovadoras que fica difícil a gente ter uma noção exata do que está de fato ocorrendo nesse mercado. Mas uma coisa é certa, todos os dias um novo aplicativo é lançado como se fosse um torpedo submarino rompendo oceanos e atingindo em cheio grandes porta-aviões, empresas tradicionais desenvolvedoras de softwares, que involuntariamente pararam no tempo e que ainda são o foco do investimento em tecnologia dos maiores bancos. Mesmo com tanto dinheiro, as soluções apresentadas por essas empresas ao mercado de ferramentas para clientes bancários, não conseguem a efetividade das “fintechs”.

Uma matéria da revista The Economist trouxe uma análise bem interessante sobre a guerra que está acontecendo. De um lado, as empresas de tecnologia que prestam serviços para os bancos e recebem muito dinheiro para desenvolverem produtos e soluções para que os bancos possam manter seus clientes guardando seu dinheirinho e investindo com eles. E, do outro lado, os “submarinos torpedeiros”: as “fintechs”, com menos poder de fogo mas que estão fazendo cada vez mais danos ao velho modelo utilizado pelas desenvolvedora de softwares.

Segundo a matéria da revista, os “fintechers” já enxergam muitas empresas de software como se fossem as “Kodak do século 21” ou então, as comparam a cabos telefônicos de cobre, na era da fibra ótica. Acreditam que a maneira que as empresas que prestam serviços de desenvolvimento de softwares para os bancos não estão se adaptando aos novos processos, não se reinventam, não investem em pesquisa para suprir novas demandas e acabam sempre fazendo mais do mesmo, apenas colocando novas roupagens de marketing para atrair e manter clientes pagando altas tarifas.

Ainda sim, os fintechers assumem que os bancos têm que permanecer no sistema. Afinal, garantias governamentais adquiridas para manter a paz e a estabilidade de muitos governos e Estados são institutos sólidos que permitem as pessoas guardarem seu dinheiro sem se preocupar. De fato, o setor de financiamentos imobiliários é deles e não há como mudar isso. Foram eles que construíram a sociedade do crédito e continuarão a dominá-la. Logicamente, graças ao amparo governamental, num ciclo financeiramente e politicamente autossustentável.

Os bancos têm feito sua parte e evoluído nas plataformas para internet e mobile, o que já modificou muito a forma tradicional que lidávamos com nosso dinheiro e nossa forma de investir.
Então você pode pensar: se eles têm todo dinheiro, são corporações enormes de nível global e, basicamente, criam crédito e dão a quem eles quiserem. Por que é que algumas “fintechs” irão fazer tanto dano assim aos sistemas que eles possuem se a qualquer momento essas inovações podem ser compradas?

Sim. Podem ser compradas. Estou certo que o sonho de muitos “fintechers” é simplesmente o de vender sua ideia para um amplo processo de massificação.

Mas não é tão simples assim. As “fintechs” surgem como soluções para diminuir a rentabilidade dos bancos. E isso os grandes bancos não querem pagar ninguém para fazer. Podem até comprar as ideias e investirem, entendendo o processo e modificando a oferta de seus serviços, mas não vão conseguir barrar o processo constante de solucionar questões referentes à diminuição de custos para usuários finais. Aí está o segredo delas. Por isso os bancos não têm interesse em investir e vão deixar o processo andar como tiver de andar.

Dia desses consegui um desconto de 50% da anuidade do meu tradicional cartão de crédito vinculado à minha conta corrente, quando mostrei pro meu gerente um cartãozinho que eu controlava via aplicativo e que não me cobrava nenhum centavo de anuidade.

A realidade mostra que, cada vez mais, bancos menos tradicionais, estão competindo de forma mais agressiva, reduzindo bastante suas margens de lucro com tarifas. Se as “fintechs” trazem clientes que precisam de dinheiro, lá estão eles para bancar as operações. Não importa se vão ganhar com tarifas ou não. O que eles, bancos menores desejam, é apenas colocar o dinheiro deles na praça, sem precisar investir em agências físicas e recursos humanos e máquinas que seja. A equação fecha muito bem para quem interessa e isso basta para as mentes que estão criando essas novas soluções.

Giordano de Souza – EconoGuia

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