Suas emoções comandam sua vida financeira?

A maioria das pessoas provavelmente dirá que são indivíduos racionais e que decidem ponderadamente. De fato, o pensamento lógico e o comportamento prudente são a norma para a maioria das pessoas na maioria dos casos. Afinal, nossa mente está condicionada a isso.

Infelizmente, quando se trata de gestão de finanças pessoais, todos que se dizem racionais já caíram em alguma atitude irracional e a repetiu por algumas vezes. Independente da nossa idade, ocupação ou nível educacional, vez por outra nos vemos decidindo algo das nossas finanças pessoais de maneira ilógica. Quantas vezes já ouvimos falar de situações com pessoas que perderam seu dinheiro em um investimento claramente fadado ao fracasso só porque ainda haviam pequenas chances de recuperação? Ou então, aqueles que passaram uma oportunidade adiante, vendendo parte de algum negócio, só porque acreditou que aquilo já deu o que tinha que dar?

Ainda é bom lembrar que alguns têm uma clara mania de destinar dinheiro que veio fácil (presente, bônus, herança) para algum projeto inexpressivo, enquanto é completamente controlado com o dinheiro que se ganha como fruto de trabalho? Ainda os tantos que se deixam levar pelos modismos de investimentos? Modismos de carreiras pelo fato de o mercado estar pagando melhor determinados profissionais?

Enquanto as teorias convencionais apregoam que investidores são indivíduos dotados de razões lógicas, que buscam maximizar seus lucros num processo de tomada de decisões racionalmente prudentes, na realidade, pesquisas mostram que grande parte das decisões são guiadas pela emoção e pela intuição. É o entendimento deste fato que tem levado ao incrível crescimento do estudo das Finanças Comportamentais: basicamente um campo de estudo que busca explicar as causas dos processos de tomada de decisões irracionais no campo das finanças pessoais.

Uma das principais afirmações que as Finanças Comportamentais colocam é a de que, como humanos, estamos todos ligados a condicionamentos que tomam a forma de pré-conceitos ou atalhos mentais que influenciam nossa tomada de decisões. Esses condicionamentos nos levam a ignorar o pensamento racional e nos ligam de maneira inequívoca a noções ou a intuições preconcebidas.

Aversão a perdas

Enquanto temos vários condicionamentos mentais que influenciam o nosso comportamento, a aversão a perdas é um dos que mais que afetam o processo lógico de tomada de decisões. Todos temos uma tendência natural a evitar e negar perdas. De fato, sempre vemos a perda como algo negativo mesmo que ela signifique um ganho posterior.

Contabilidade ilusória

Enquanto a aversão a perdas pode nos ajudar a entender algumas fraquezas na tomada de decisões, a contabilidade ilusória nos ajuda a explicar o porquê do fato de algumas pessoas segregarem ilogicamente o dinheiro com base na sua origem, ou mesmo, de usarem antecipadamente um crédito que ainda não está disponibilizado ou planejado no seu orçamento.

Logicamente temos que tratar o dinheiro, independente de onde ele vem, como tendo um único valor para nosso bem-estar financeiro. Dinheiro que veio sem trabalho ou dinheiro suado carregam a mesma utilidade e, no fim das contas, executam a soma necessária para fecharmos o balanço que desejamos.

Há muitos exemplos que a teoria da contabilidade ilusória nos ajuda a explicar. Quantas pessoas mantêm o gasto no cheque especial ou no cartão de crédito, só pelo fato de ser algo emergencial enquanto ainda têm algum dinheiro aplicado com juros menores.

Ouvir dizer

Quando pensamos em pessoas que agem de maneira irracional, o comportamento do “ouvi dizer” nos ajuda a explicar porque tantas pessoas agem, em grandes grupos, de maneira desarrazoada. Essa teoria do “ouvir dizer” explica que indivíduos possuem a tendência de assumir atitudes e comportamentos baseados no que é repetido por um grupo, diferentemente do que fariam se estivessem agindo cada um por sua conta. Sempre há aquele que prefere confiar na palavra de alguém que foi escolhido como líder do que investigar razões de uma ideia ou comportamento por si próprio.

Em suma, não resta dúvidas que, quando se trata de finanças pessoais, as pessoas se deixam influenciar por suas emoções, intuições e condicionamentos para ultrapassar a regra da racionalidade. Muitas vezes o limiar é bastante sutil e quase sempre a busca por uma aprovação ou a necessidade da certeza de estar agindo corretamente pode ocultar essa irracionalidade, mas se investigarmos cuidadosamente, alguma condicionante determinou algum grau de irracionalidade da decisão.

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Giordano de Souza

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